a teoria política de Platão


O filósofo Platão, chamava-se, na realidade, Aristocles, nasceu na cidade-Estado de Atenas, hoje a capital da Grécia, no ano de 428 a.C., e morreu no ano de 348 a.C. Era de família aristocrática. O nome Platão foi dado ao pensador ainda em sua juventude por causa de uma característica física. Mais precisamente os ombros. A palavra correspondente em grego, Platon, significa ombros largos, característica marcante do filósofo.

O filósofo veio de uma família influente na política de certo período da Grécia, pois sua mãe descendeu do grande legislador e estadista grego Sólon, um dos grandes reformadores da política ateniense do século VI a.C. e considerado um dos sete sábios da Grécia antiga.

Platão participou de uma campanha militar ateniense por volta dos anos 404 e 409 a.C., anos finais da Guerra do Peloponeso. Isso significa que o pensador viveu, em sua juventude, a democracia ateniense e, mas devemos lembrar que Platão era contrário à democracia ateniense, grega.

Aos 30 anos de idade, Platão conheceu Sócrates, pensador que foi o seu mestre iniciador na Filosofia, mentor intelectual e amigo. A maioria dos escritos deixados por Platão forma os chamados diálogos socráticos, que são narrativas em que Sócrates é a personagem principal e porta-voz das ideias de Platão. Por isso é difícil separar o pensamento de Sócrates do Pensamento de Platão.

Platão sempre foi fascinado por política. Por essa paixão realizou diversas viagens, principalmente, para Siracusa, na Magna Grécia, atualmente é a ilha da Sicília, no sul da Itália, para tentar implementar seus ideais políticos por lá. Sofreu pesados reveses ao tentar converses convencer o rei Dionísio, governava Siracusa (Sicília) nessa época, a aplicar suas teorias políticas/sociais.

Inicialmente foi bem acolhido na corte de Dionísio. Porém, depois de graves desavenças com o rei foi preso e condenado à escravidão. Foi vendido, no mercado, como a um rico proprietário de uma frota de navios. Porém, esse rico armador, o reconheceu como grande pensador.

Com o dinheiro, que inicialmente, seria para pagar a sua liberdade, por volta do ano 388 a.C., Platão adquiriu um terreno no Monte Akademus, em Atenas. Foi devido a sua localização, Monte Akademus, que a Escola de Platão recebeu o nome de Academia. Nesse pequeno terreno, Platão fundou a sua academia, uma espécie de escola para que os seus discípulos pudessem continuar os seus estudos em Filosofia. Além de filosofia, na Academia de Platão também ensinava matemática, música, medicina e retórica.

Platão foi um dos mais importantes pensadores do período humanista/antropológico da filosofia grega. Ele fundou um pensamento metafísico, ou seja, meta – além e física – natureza, Metafísica significa “Além da Física”. Além de Sócrates, podemos destacar outros dois filósofos antigos que também inspiraram Platão na formação de seu pensamento, que são Parmênides e Heráclito. Inspirado pelas teorias de Parmênides acerca do imobilismo, ou seja, as coisas não se modificam na sua essência, no que elas realmente são. E inspirado em Heráclito temos a constante mudanças que as coisas sofrem. Com base nestes dois pensadores antigos, Platão elaborou uma teoria metafísica dualista, ou seja, o dualismo platônico, que divide o mundo, respectivamente, em duas categorias: o Mundo das Ideias e das Formas e o mundo sensível.

Nesse Mundo das Ideias, estariam as essências das coisas, os conceitos, as Ideias fixas e imutáveis que descrevem essencialmente cada ser ou objeto existente. Já o mundo sensível seria a realidade com a qual nos defrontamos em nosso cotidiano básico, acessada por meio de nossa experiência sensível. Essa realidade é ilusória, enganosa e inferior, levando o ser humano ao erro, causado pelas aparências das coisas do mundo, que não correspondem às essências.

A Academia Platônica permanece funcionando por cerca de mil anos, vai do século IV d.C. ao século IV a.C. Ela é fechada por ordem do Imperador Romano Chamado Justiniano, que considerava a Academia um centro de propagação do pensamento pagão. Toda as obras da Academia, tanto do Platão como de seus discípulos foi entre ao cristianismo, que as preservaram e copiaram nos mosteiros.


A Sociedade Platônica: uma Sociedade Utópica

A “República” é um dos livros mais conhecidos do filósofo Platão. Neste livro, Platão formula uma cidade ideal, onde para ele haveria a tão sonhada justiça. Caberia ao sábio ensinar e, desta forma, proceder à educação na arte da política. O meio apresentado por Platão para alcançar esse objetivo seria a transformação das pessoas e da sociedade. Platão vai além. Segundo ele, o filósofo deveria governar. Ele imagina uma cidade “utópica”, perfeita, que a chama de “Calipolis”, que significa “Cidade Bela”. Essa cidade era fundamentada na divisão do trabalho. Para Platão, uma cidade justa só poderia existir se cada homem cumprisse com suas funções. Para isso, ele dividiu os homens em três classes diferentes: a primeira delas seria a dos artesãos. Esses se dedicariam à produção de bens materiais; a segunda seria a classe dos guerreiros, que seriam responsáveis por defender a cidade de possíveis males; a terceira era a dos filósofos, que deveriam dirigir a cidade e zelar pela obediência das leis. Platão dizia que cada pessoa nascia com aptidões distintas e que elas definiam a que classe as pessoas pertenceriam.


Platão parte do princípio de que as pessoas são diferentes e por isso ocupam lugares e funções diversas na sociedade. Propõe então que o Estado, e não a família, assuma a educação das crianças até os sete anos, evitando assim que interesses pessoais sejam sobrepostos aos da sociedade. Também seriam controlados os laços afetivos para controlar as gerações, é o que chama-se de “eugenia”, “eu – bom/boa e genia – geração”, portanto, “eugenia significa boa geração, bem nascido”. Desta forma, o “Estado” orientaria também para que seja oferecida as melhores condições de reprodução e para, ao mesmo tempo, criar instituições para a educação coletiva das crianças. Ele dizia que a família deveria deixar de existir. Ao nascer, as crianças deveriam ser retiradas de suas mães, e serem educadas pela cidade. Nenhuma mãe ou pai conheceria seu filho, do mesmo modo que os filhos não saberiam quem são seus pais. Com isso, não existiriam os laços familiares, as pessoas seriam menos egoístas e alheias aos maus hábitos. Portanto, com as crianças sob custódia do “Estado”, seria preciso um sistema educativo que desenvolvesse as virtudes necessárias para cada classe.

Segundo Platão, a forma correta de governo deveria se espelhar na alma e no ser humano. Como no corpo humano, a cabeça é que governa, na cidade ideal, caberia àqueles dotados da razão, os filósofos, o dever de governar a cidade. Já aqueles detentores da cólera, a qual ele associava ao peito, seriam os corajosos, os guerreiros, que lutariam em prol da manutenção da organização e da paz da cidade. O terceiro grupo era comandado pelos desejos, que no corpo humano seria afim da região do baixo ventre. Essa classe, a dos artesãos, deveria controlar seus desejos para conseguir manter a temperança. Para isso eles deveriam empregar a força resultante de seus desejos naquilo que possuem habilidade para realizar, os seus trabalhos específicos.


A Calípolis, sociedade utópica platônica


A Sociedade Platônica: A Educação das três Classes

O que Platão quer demonstrar é que os indivíduos para exercer as três funções fundamentais da vida coletiva: as atividades que atendam às necessidades materiais, as de guarda e dfesa da cidade e as de governo.

Até os vintes anos, todos seriam educados da mesma forma; após a identificação do tipo de alma, aqueles que possuem “alma de Bronze” dedicam-se à agricultura, ao artesanato e ao comércio, ou seja, atividade e ocupações braçais, isto é, atividade diretamente relacionadas ao trabalho físico, que para os gregos antigos eram funções subalternas, inferiores. A eles cabia, portanto, a subsistência da cidade. A virtude por excelência desse grupo é a temperança, pela qual deveriam controlar os desejos de prazer. Eles seriam os “Operários”.

Durante os dez primeiros anos de vida, a educação da criança seria predominantemente na parte física. Após os dezesseis a música ficaria responsável por ensinar ao espírito. Quando atingissem os vinte anos, seria a hora de um teste prático e teórico, que dividiria os homens em suas respectivas classes. Os que não passassem seria designado à terceira classe, a dos artesãos.

Os demais continuam os estudos por mais dez anos. Até a segunda seleção, quando é feita a identificação daqueles que têm “alma de Prata”. A eles são destinadas a guarda do Estado, a defesa da cidade. A virtude dos guerreiros é a coragem, exercida pelo domínio sobre o caráter irascível da alma.

Os mais capacitados que venceram as duas seleções anteriores, por terem a “alma de Ouro”. A eles são confiados o governo da cidade.  Sua função é manter a sociedade coesa.

Platão dizia necessário a criação de um método capaz de impedir que a incompetência e a corrupção existissem no governo público.  Por isso, a cidade ideal, só poderia ser governada por aqueles que possuíssem a habilidade da sabedoria, os filósofos. Dentre todos os sábios, seriam escolhidos os melhores, e estes teriam que submeter-se a diversas provas para avaliação de seu patriotismo e resistência. Uma vez aprovados, receberiam o título de Filósofo-Rei. Seriam aqueles capazes de, através da sabedoria, realizar uma justiça social. É importante ressaltar que não haveria distinção entre os sexos, homens e mulheres poderiam pertence a qualquer uma das classes, de acordo com sua capacidade a aptidão.





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